Em um mundo que incessantemente nos impulsiona a “ser alguém”, a construir um legado e a garantir nosso lugar ao sol, você já se sentiu exausto? A pressão para ser notado, admirado ou indispensável pode ser esmagadora, nos levando a buscar incessantemente a validação. Mas e se a verdadeira força e plenitude estivessem no caminho oposto? E se a chave para a vida abundante fosse, paradoxalmente, aprender a nos esvaziar?
O apóstolo Paulo, escrevendo aos filipenses, nos oferece uma perspectiva revolucionária. Em Filipenses 2:5-8, ele nos exorta: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens.”
Imagine! O Deus eterno, o Criador de tudo, “o resplendor da glória de Deus” (Hebreus 1:3), escolheu não se apegar à Sua majestade divina. Não se trata de Jesus ter deixado de ser Deus – Ele nunca o fez, pois é totalmente Deus. Mas sim, de Ele ter assumido a nossa fragilidade humana. Ele se esvaziou de Sua glória ininterrupta para se encher da condição de servo, de homem. Não perdeu Sua divindade, mas se humilhou ao tomar para Si a nossa humanidade, com todas as suas limitações e sofrimentos. O Rei do universo nasceu em um estábulo, em vez de um palácio, e deitou em uma manjedoura, não em um trono. Ele se tornou “nada” aos olhos do mundo para nos resgatar.
A mente de Cristo é uma mente de humildade radical. Agostinho de Hipona, um dos grandes pensadores cristãos, resumiu a essência da vida cristã em três palavras: “humildade, humildade, humildade”. Como podemos praticar essa verdade transformadora na nossa “segunda-feira de manhã”?
Reavalie sua busca por status: Em vez de perguntar “O que eu ganho com isso?”, comece a questionar “O que eles precisam que eu faça por eles?”. No trabalho, na família, na igreja, a mentalidade de serviço nos liberta da escravidão do ego.
Encontre sua identidade em Cristo, não em conquistas: Jesus se esvaziou de Sua glória não porque Ele era menos, mas porque Ele era mais. Nosso valor não está no que fazemos ou possuímos, mas no que Cristo fez por nós. Ele se tornou “ninguém” para que nós, que éramos “ninguém” aos olhos de um mundo caído, pudéssemos nos tornar “alguém” em Cristo.
Sirva anonimamente: Muitas vezes, esperamos reconhecimento. O verdadeiro esvaziamento, contudo, se manifesta em atos de serviço que ninguém vê, em sacrifícios que ninguém aplaude. É nessas pequenas e grandes renúncias que experimentamos a alegria de ser como Ele.
Esteja aberto a aprender e mudar: A humildade nos torna ensináveis. Reconheça suas limitações, esteja disposto a ouvir e a crescer.
Viver como Cristo nos chamou não é negar o nosso valor, mas sim encontrar o nosso verdadeiro valor n’Ele, espelhando Sua disposição para servir. É abraçar uma vida onde o ego é crucificado para que Cristo possa ser tudo em todos.
Que o exemplo de Jesus nos inspire a não nos apegarmos aos nossos direitos, à nossa reputação, ou ao nosso conforto. Que possamos, em vez disso, nos esvaziar de nós mesmos, permitindo que o amor e a graça de Cristo fluam através de nós para um mundo sedento. No processo de servir, de nos humilharmos, descobrimos a verdadeira plenitude e o propósito duradouro. Que essa atitude, essa “mente de Cristo”, não seja apenas uma reflexão passageira, mas o fundamento de cada dia de nossa jornada.
Oremos:
Senhor Jesus, obrigado por Te esvaziares de Tua glória e assumires a forma de servo para nos salvar. Ajuda-nos a ter a mesma mente que houve em Ti. Capacita-nos a deixar de lado nosso ego e nossa busca por autoafirmação, para que possamos servir aos outros com amor e humildade, encontrando nossa verdadeira identidade e propósito somente em Ti. Amém.