Você já parou para pensar no peso e no significado da palavra que usamos para nos identificar espiritualmente? Num churrasco de família, ou numa roda de amigos, alguém pergunta: ‘Você é evangélico, certo?’ O que vem à sua mente?
No Brasil, ‘evangélico’ virou quase um sobrenome. Uma categoria no censo, uma frente política, às vezes até uma marca cultural. Mas será que esse rótulo realmente captura a **essência da nossa fé**? Há uma distinção crucial que as Escrituras nos convidam a resgatar, uma identidade mais profunda e transformadora.
A Identidade Que Nasceu em Antioquia
Em Antioquia, um fato marcou a história da igreja primitiva: **’Foi em Antioquia que os discípulos, pela primeira vez, foram chamados cristãos’** (Atos 11.26).
Essa não foi uma autoproclamação, mas um **reconhecimento externo**. As pessoas viam em seus atos, em suas palavras, na forma como viviam, a imagem de Cristo. ‘Cristão’ significava ‘pequeno Cristo’, alguém que pertence a Ele e reflete Seu caráter. Não um mero membro de um grupo, mas uma **vida transformada**.
Ser cristão, portanto, é estar unido a Cristo, escolhido por Ele antes da fundação do mundo (Efésios 1.4), e ser moldado à Sua imagem (Romanos 8.29). É mais do que uma placa na igreja; é uma **vida regenerada pelo Espírito Santo**, com um propósito claro: **viver para Ele**.
O Termo 'Evangélico': Nobre, mas Mal Interpretado
Claro, o termo ‘evangélico’ tem sua raiz no grego *euangelion*, que significa ‘boas-novas’ ou Evangelho. É um termo nobre, central à nossa fé, e foi crucial na Reforma Protestante para designar aqueles que voltaram à **autoridade das Escrituras** e à **centralidade da graça**.
Contudo, o uso contemporâneo no Brasil muitas vezes se descola dessa profundidade teológica. Tornou-se um termo sociológico, político, ou até de marketing, perdendo a conexão vital com o **arrependimento genuíno**, a **santificação** e o **discipulado radical**.
É por isso que precisamos reafirmar: **Todo cristão vive do Evangelho e para o Evangelho**. Mas nem todo ‘evangélico’ (no sentido atual e culturalmente diluído do termo) vive como cristão.
Vivendo Como Cristão na Segunda-Feira
Como essa verdade impacta sua vida hoje? Não se trata de abandonar o rótulo, mas de **encher de sentido** a identidade que realmente importa. Trata-se de viver o Evangelho de tal forma que o mundo reconheça em você não apenas um ‘evangélico’, mas um **seguidor autêntico de Cristo**.
Aqui estão passos práticos para viver essa identidade:
**Reflita em Cristo:** Ao invés de perguntar ‘O que um evangélico faria?’, pergunte **’O que Cristo faria?’**. Baseie suas decisões e reações no caráter de Jesus, não em expectativas culturais ou políticas.**Busque a Santificação:** A eleição e a união com Cristo nos chamam a uma vida de separação do pecado e busca pela retidão. Isso se manifesta na **integridade no trabalho**, na paciência em casa, na verdade em suas palavras.**Seja Luz e Sal:** Seu testemunho não é o que você diz ser, mas o que você vive. Que a sua vida grite Evangelho, com **atos de amor, justiça e misericórdia**, onde quer que você esteja.**Arrependa-se e Cresça:** Ninguém é perfeito. A vida cristã é um contínuo arrependimento e dependência da graça. Não tema reconhecer suas falhas e buscar a **transformação diária** pela Palavra e pelo Espírito.
Um Chamado à Essência
Resgatar a identidade de ‘cristão’ é um chamado para nos voltarmos ao Cristo das Escrituras (Gálatas 2:20). É um convite para sermos conhecidos não pelo nosso rótulo, mas pela nossa **conformidade a Ele**, pelos frutos que evidenciam Sua presença em nós.
Que o mundo veja em nós não apenas ‘evangélicos’ conforme a categorização humana, mas **verdadeiros seguidores de Jesus**, portadores da Sua luz e do Seu amor. Que nossa vida seja um testemunho vivo, um Evangelho em movimento.
Oremos: *Querido Pai, ajuda-nos a viver a profundidade do que significa ser chamado cristão. Que nosso caráter, nossas palavras e nossas ações reflitam Teu Filho Jesus, para a glória do Teu nome e para que o mundo possa conhecê-Lo. Amém.*