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Jonas e Nínive: Por Que Deus Ama Quem Você Odeia

André Lourenço

Você já se pegou torcendo pelo ‘castigo’ de alguém? Aquela pessoa que te magoou profundamente, aquele grupo cujas atitudes você abomina, ou até mesmo uma ideia que parece ameaçar tudo o que você preza? É uma emoção humana, quase instintiva, desejar justiça para os ‘maus’ e proteção para os ‘bons’. Mas e se Deus pensasse diferente? E se Ele pedisse a você para levar a Sua graça justamente para quem você menos espera, para quem você, talvez, odeia?

Essa é a essência da profunda e desconfortável história do profeta Jonas.

O Coração Resistente de um Profeta

Deus chamou Jonas com uma ordem clara: “Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive e clama contra ela, porque a sua maldade subiu até mim” (Jonas 1:2). Nínive não era apenas uma cidade grande; era a capital do Império Assírio, sinônimo de crueldade, opressão e idolatria. Os assírios eram inimigos brutais de Israel, conhecidos por sua violência e por aterrorizar nações inteiras.

Para Jonas, um judeu fiel, a ideia de Deus se preocupar com aqueles sanguinários era, no mínimo, absurda. Ele sabia que o Deus de Israel era “misericordioso e compassivo, tardio em irar-se e grande em benignidade” (Jonas 4:2). E era exatamente por isso que ele fugiu! Jonas não queria que Nínive fosse perdoada. Ele queria justiça – a justiça que ele, Jonas, definia para os inimigos de seu povo.

A ira de Jonas, após o arrependimento dos ninivitas, revela a sua grande questão: não era medo do povo, mas uma profunda oposição à ideia de que a misericórdia de Deus pudesse alcançar aqueles que ele considerava indignos de tal perdão.

Ampliando Nosso Amor: O "Como Fazer" no Dia a Dia

A história de Jonas é um espelho para a nossa própria alma. Ela nos convida a uma reflexão profunda sobre os limites da nossa compaixão e a amplitude da de Deus. Como podemos traduzir essa lição para a nossa “segunda-feira de manhã”?

1. Identifique suas "Nínives" Pessoais

Quem são as pessoas, grupos ou até ideologias que você, no fundo, sente que não merecem a graça de Deus? Pode ser um colega de trabalho desafiador, um vizinho barulhento, um político com ideias opostas, ou mesmo um familiar com quem você tem dificuldades profundas. Reconhecer essas “Nínives” é o primeiro passo para derrubar as paredes em seu coração.

2. Desafie seu Próprio Senso de Justiça

Nosso desejo por justiça é, muitas vezes, um desejo por retribuição. Deus, contudo, opera na esfera da misericórdia que convida ao arrependimento e à transformação. Será que estamos mais preocupados em ver o “pagamento” do mal do que em testemunhar a mudança e a redenção?

3. Amplie Sua Compaixão Segundo Deus

Deus se importa com Nínive, com seus “cento e vinte mil homens que não sabem discernir entre a mão direita e a esquerda” (Jonas 4:11). Ele se importa com os perdidos, com os que erram, com os que estão cegos pelo pecado. Nossa compaixão deve espelhar a d’Ele, mesmo para aqueles que nos parecem irremediáveis ou, pior, merecedores de castigo.

4. Ore Por Aqueles Que Você Resiste em Amar

Este é, talvez, o passo mais difícil, mas o mais transformador. Peça a Deus para amolecer seu coração e para que Ele derrame Sua graça sobre aqueles que você resiste em amar. Lembre-se, o amor de Cristo nos alcançou quando éramos inimigos d’Ele (Romanos 5:8).

A Misericórdia de Deus é Maior que Nossos Muros

Jonas nos ensina que a maior batalha do cristão pode não ser contra o mundo, mas contra as paredes que construímos em nosso próprio coração. O amor de Deus é expansivo, revolucionário e desafia nossas zonas de conforto e nossos preconceitos mais arraigados. Ele nos convida a ser agentes de Sua graça, não juízes de Sua misericórdia.

Que possamos hoje, diante da revelação da compaixão ilimitada de Deus, orar:

‘Senhor, ajuda-nos a ver o mundo e as pessoas com os Teus olhos. Quebranta nosso coração diante de nossos próprios preconceitos e nos capacita a amar aqueles que nos custa amar, sabendo que Tu és o Deus que estende a mão a todos, para que todos possam encontrar em Ti a verdadeira vida. Amém.’

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