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O Mito da Vida Perfeita

Autor: Ramon de Sousa Oliveira. © Voltemos ao Evangelho. Website: voltemosaoevangelho.com. Todos...

No turbilhão da vida moderna, quem nunca sonhou com um atalho para a perfeição? Um botão mágico que eliminasse a dor, a doença, a imperfeição. A busca por otimização nos segue do trabalho à saúde, e agora, de forma perturbadora, até à própria origem da vida. Parece que, para muitos, a ciência se tornou o novo oráculo, prometendo resolver todos os nossos dilemas e nos guiar para uma existência sem falhas.

Mas, como aprendemos na história – e deveríamos aprender sempre –, o que a ciência celebra hoje, a ética condena amanhã. Lembram-se da lobotomia? Um “avanço” premiado com o Nobel, hoje visto como uma barbárie. E a eugenia, que no passado foi “ciência moderna”, é agora um pesadelo que nos envergonha. A verdade é que a ciência, embora seja um dom de Deus para a compreensão do mundo, é uma ferramenta em mãos humanas e, por si só, não é infalível nem detentora da verdade moral.

É por isso que precisamos do discernimento divino. Diante de avanços biotecnológicos que prometem “selecionar” a vida humana desde o seu estágio mais inicial – o embrião – com base em probabilidades genéticas de saúde, longevidade e até inteligência, somos confrontados com uma pergunta crucial: quem determina o valor de uma vida?

Nossa fé cristã oferece uma resposta inabalável. A Escritura nos revela que:

Cada ser humano é criado à imagem de Deus. Em Gênesis 1:26-27, lemos: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança… Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” Essa imagem não é definida pela saúde perfeita, por um QI elevado ou por uma predisposição genética favorável. É uma dignidade intrínseca, dada por Deus, que precede qualquer cálculo ou expectativa humana.
Deus nos conhece e nos forma no ventre. O Salmo 139:13-16 ecoa essa verdade profunda: “Pois tu formaste o meu interior; tu me teceste no ventre de minha mãe… Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias; cada um deles foi determinado antes que qualquer deles existisse.” Desde o embrião mais minúsculo, Deus nos vê, nos conhece, nos ama e tem um propósito para nós. Não somos material biológico a ser comparado e descartado; somos vidas preciosas em formação, criadas por um Artífice divino.

Portanto, quando a cultura nos empurra para a armadilha de uma “vida perfeita”, buscando o “melhor” entre embriões como se fossem produtos a serem escolhidos, precisamos nos posicionar. A ética cristã nos chama a:

Discernir com a Palavra: Não aceitemos cegamente a retórica do “progresso” ou da “ciência” se ela contradiz a dignidade humana. Filtre cada proposta pela lente da Escritura.
Valorizar toda vida humana: Seja o embrião no laboratório, o deficiente, o idoso, o doente crônico – cada vida carrega a imagem de Deus e merece nosso respeito, amor e defesa.
Confiar na Soberania Divina: Lute contra a ansiedade da perfeição. Deus é soberano sobre a vida e sobre cada detalhe da nossa existência e da de nossos filhos. Ele trabalha Seus propósitos, inclusive através das nossas imperfeições e limitações neste mundo caído.
Ser uma Voz Profética: Não podemos nos calar. Em amor e verdade, devemos proclamar que a vida é um dom sagrado, não um produto ajustável. É nossa responsabilidade defender os que não têm voz e testemunhar que a dignidade não se mede por estatísticas genéticas, mas pela marca divina em cada um de nós.

Que a nossa fé não seja refém dos caprichos da tecnologia ou da idolatria da performance. Que possamos, como C.S. Lewis nos ensinaria, olhar para além da superfície, compreendendo que a verdadeira perfeição não está na ausência de falhas, mas na plenitude da vida que Deus nos oferece em Cristo, e na dignidade que Ele confere a cada um de nós.

Oração Final:

Senhor da Vida,
Agradecemos por nos teres criado à Tua imagem e semelhança, e por nos teres tecido no ventre de nossas mães. Perdoa-nos por vezes nos deixarmos seduzir pela busca incessante da perfeição, esquecendo que o nosso valor vem de Ti. Ajuda-nos a discernir com sabedoria, a valorizar cada vida humana como preciosa em Teus olhos e a ser uma voz que defende a dignidade em um mundo que a esquece. Que o nosso coração confie na Tua soberania e no Teu amor, que abraça todas as imperfeições. Em nome de Jesus, Amém.

Fonte: https://voltemosaoevangelho.com

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