Vivemos numa cultura que celebra a autoconfiança, a imagem de sucesso inabalável e a ideia de “bastar-se a si mesmo”. Olhamos para figuras que escalam os degraus do reconhecimento e, muitas vezes, admiramos a sua aparente força. Mas e se a própria escada que parece levar ao topo contivesse um degrau falso, invisível para quem se recusa a olhar para baixo? E se aquilo que muitos confundem com virtude fosse, na verdade, a principal causa de tropeços e quedas?
Essa é uma das grandes verdades que a sabedoria milenar nos ensina, um diagnóstico preciso e atemporal sobre a fragilidade humana.
A Bíblia nos alerta em Provérbios 16:18:
> “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda.”
Este versículo não é apenas um ditado antigo; é uma lei espiritual e existencial. Escrito por Salomão, o homem mais sábio de seu tempo, ele nos revela uma dinâmica universal: há uma relação direta de causa e efeito entre o orgulho e o desastre. A “soberba” é a arrogância interior, a autossuficiência que nos impede de ver nossas próprias limitações. A “altivez do espírito” é a manifestação externa dessa soberba, o olhar de superioridade, a atitude que nos isola. Ambas levam ao mesmo destino: a ruína ou a queda.
O Cego Caminho da Autossuficiência
Pense na soberba como um par de óculos escuros que colocamos em ambientes já escuros. Ela nos impede de ver os perigos que se aproximam e de reconhecer nossa necessidade de luz.
Como isso se manifesta no dia a dia?
O Profissional “Infalível”: Conhecemos alguém assim. Um profissional talentoso, com histórico de sucessos. Aos poucos, ele para de ouvir feedback, ignora as advertências sobre riscos de um novo projeto, rejeita ajuda. A soberba sussurra: “Você sabe mais do que todos eles”. O resultado? Um erro grave que poderia ter sido evitado, um projeto que fracassa, uma reputação manchada. A ruína profissional foi precedida diretamente pela sua soberba em não reconhecer seus limites ou a sabedoria alheia.
O Motorista Que Ignora Avisos: Imagine um motorista experiente que conhece bem uma estrada. Uma luz de advertência se acende no painel do carro, mas ele pensa: “É bobagem, este carro nunca me deixou na mão”. Ele segue, ignorando o sinal. Poucos quilômetros depois, o motor funde. A ruína do carro não foi um acidente repentino; foi o resultado direto da soberba do motorista em achar que sabia mais do que os próprios avisos.
O Preço dos Muros que Construímos
Já a altivez do espírito é a construção de muros invisíveis. Ela nos isola, afastando aqueles que poderiam nos oferecer apoio, conselho e amor genuíno.
Veja como isso acontece:
O Amigo que “Sabe Tudo”: Em uma roda de amigos, essa pessoa precisa sempre ter a última palavra. Menospreza as opiniões dos outros, conta vantagem de suas próprias conquistas, raramente pergunta sobre a vida alheia. Essa altivez cria um ambiente tóxico. Lentamente, os amigos se afastam, param de ligar. A queda aqui não é um evento dramático, mas uma lenta solidão. A pessoa que se sentia superior a todos acaba isolada pelo muro da própria arrogância.
O Conflito Familiar: Numa discussão, a altivez impede de dizer “me desculpe, eu errei”. É a necessidade de “ganhar” o argumento a todo custo, mesmo que signifique ferir profundamente quem amamos. A queda é o rompimento de um relacionamento precioso, uma mágoa que pode levar anos para cicatrizar, tudo por causa da recusa orgulhosa em admitir uma falha.
O Antídoto: Humildade é Força
Por que o orgulho é tão perigoso?
Ele nos cega para nossas falhas e limitações.
Ele nos ensurdece para conselhos sábios e críticas construtivas.
Ele nos isola das pessoas que poderiam nos ajudar a levantar.
O orgulho nos convence de que estamos subindo, quando na verdade, estamos apenas inflando um balão que está prestes a estourar.
O antídoto para este veneno é a humildade. Humildade não é pensar menos de si mesmo, mas pensar menos em si mesmo. É a capacidade de reconhecer que precisamos dos outros e, acima de tudo, de Deus. É a sabedoria de ouvir, a coragem de admitir erros e a força de pedir ajuda.
Para a sua “segunda-feira de manhã”:
1. Examine-se com Sinceridade: Em que áreas da sua vida você está agindo como o “profissional infalível” ou o “motorista que ignora os sinais”?
2. Pratique a Escuta Ativa: Suas conversas têm sido mais sobre você ou sobre os outros? Procure construir pontes em vez de muros com suas palavras.
3. Aprenda a Dizer “Me Desculpe”: Qual foi a última vez que você admitiu um erro e pediu perdão sinceramente a alguém? Faça disso um hábito.
4. Peça Ajuda: Reconhecer que não sabe tudo ou que não pode fazer tudo sozinho é um sinal de força, não de fraqueza.
Que possamos estar atentos a este “degrau falso”. Ao escolhermos o caminho da humildade, não estamos abraçando a fraqueza, mas a verdadeira força, a sabedoria e a segurança que nos livram da ruína e da queda. É no reconhecimento de nossa dependência que encontramos a maior liberdade e estabilidade.
Oração:
Senhor, reconhecemos que a soberba é uma armadilha sutil. Ajuda-nos a ver nossos pontos cegos, a ouvir com humildade e a admitir nossos erros. Que a Tua graça nos molde, transformando nosso orgulho em uma dependência genuína de Ti e dos outros. Livra-nos da ruína e da queda, e guia-nos pelo caminho da humildade, que nos eleva em Teus olhos. Em nome de Jesus, amém.
Fonte: https://www.ggospel.com.br