Em uma análise que confronta a filosofia clássica com a teologia cristã, emerge uma distinção fundamental sobre a natureza da verdade e da realidade. Enquanto Platão, filósofo grego de grande influência, propunha que o mundo que percebemos é apenas uma sombra de uma realidade superior e imutável, o Novo Testamento apresenta uma visão contrastante, onde a verdade reside na revelação divina, especificamente em Jesus Cristo.
A filosofia platônica, com sua distinção entre o mundo sensível e o mundo das ideias, influenciou profundamente pensadores ao longo da história. A ideia central é que o mundo físico é uma cópia imperfeita de uma realidade mais elevada, eterna e imutável.
No entanto, a mensagem central do Novo Testamento oferece uma perspectiva diferente. Jesus declara que a Palavra de Deus é a verdade. O termo grego usado para “verdade” sugere que, para os cristãos, a realidade última não é encontrada em abstrações filosóficas, mas sim na revelação direta de Deus. Cristo se apresenta como o pão verdadeiro que desceu do céu, a videira verdadeira e enviado pelo Deus verdadeiro.
Essa visão desafia a noção de que a verdade é relativa ou subjetiva. Em vez disso, a Palavra de Deus é apresentada como a “verdadeira verdade”, o padrão absoluto pelo qual todas as outras afirmações devem ser avaliadas. As Escrituras não são apenas uma possibilidade de verdade, mas a realidade objetiva que deve moldar nossa compreensão do mundo.
Apesar dessa clareza bíblica, observa-se uma desconexão na vida de muitos que professam a fé cristã. Há uma tendência de viver como se a Palavra fosse uma verdade distante, sem impacto prático no dia a dia. Essa atitude é descrita como “ateísmo prático”, onde a autoridade da Bíblia é negada na prática, mesmo sendo afirmada verbalmente.
A implicação da afirmação de Jesus de que a Palavra é a verdade é abrangente. Ela se aplica a todas as áreas da vida, desde o casamento e a profissão até a educação e o lazer. Não basta apenas concordar com a verdade da Bíblia; é imperativo aplicá-la em cada aspecto da existência.
A verdade, sob a perspectiva cristã, não é autônoma nem relativa, mas inerente à natureza de Deus. Ela é encontrada Nele, o fundamento definitivo. Essa realidade estabelece um padrão objetivo para avaliar a experiência e o pensamento humano.
A revelação progressiva nas Escrituras reforça essa verdade. Desde o Antigo Testamento, com os salmistas referindo-se a Deus como o “Deus da verdade”, até a mensagem de Jesus no Novo Testamento, a consistência é notável.
O convite final é para uma vida coerente com essa verdade. A adoração genuína é aquela que é feita “em espírito e em verdade”. A vida cristã não pode ser compartimentalizada, mas sim integral, envolvendo todas as dimensões da experiência humana. Em tempos de incerteza e confusão, a Palavra de Deus oferece direção segura e esperança firme.
Fonte: voltemosaoevangelho.com